Sejam bem vindos

Voces vão gostar deste blog. Vou colocar um pouco de minha arte, e de meus escritos. Algumas fotos de meus amigos e minhas também. E até de vocês se assim o quizerem.































22 de fev. de 2013

Um dos livros que escrevi - Total trinta capítulos

Um Encontro com Gnomos Marias-sem-vergonha margeavam uma bucólica trilha desconhecida. Caminhava com passos inseguros, mas a senda continuava firme, sinuosa e linda. Quereria alcançar uma pedra no rio que me chamara atenção por localizar-se na entrada de uma floresta virgem. Não sabia se poderia. Era uma pedra diante de uma linda floresta virgem. Reconhecia não ser uma tarefa muito fácil, mas pulando de pedra em pedra pelos entremeios do rio conseguiria chegar aonde queria. Depois, sentado nela com alma serena, resgataria momentos subjetivos percebidos pretensiosos: parecia-me dirigido por uma sociedade que não me deixa entender a vida; propósitos encaminhados para tornar-nos feliz eram substituídos por compulsões que nunca satisfazem. E algo nisso me intrigava. Andava dedilhando esses meus momentos quando... Chegando próximo. Reparei que aquela floresta virgem, densa, bem fechada e digna de ser apreciada causava espanto. Vinha-me a certeza de ser um local misterioso. Um emaranhado vivo, indistinto, tomava-a completamente. Era formada por árvores antigas, altas, troncos grossos e copas bem fechadas, de cujos galhos pendiam barbas-de-velho dando-lhe um aspecto fantasioso e convidativo. Parecia um contrassenso. Um rio rastejando singularmente, com suas águas claras, límpidas, vindo por uma entranha da floresta escurecida, parecendo querer fugir daquele implexo. Rio e mata formando um conjunto contraditório, mas harmonioso, que encantava minha sensibilidade. Tornavam-se dignos de receio, provocando curiosidade. Sobrepujando meu propósito, resolvi conhecer mais intimamente aquele irresistível mistério que floresta e rio sugeriam. Naquele momento crescia no meu espírito lembranças obscuras, mas encaminhadas para o bem. O perigo existindo numa grandeza sombria, mas purificado pelas águas daquele rio escapando de um “jardim de delícias”. Uma vida intensa e desconhecida implicava em múltiplas facetas. A insegurança de um futuro ou de um passado de dúvidas hesitava diante dos percalços que independem da nossa própria certeza. Naquela hora, o interior daquele labirinto, aparentava um — entardecer quase noite — apesar de ser manhã. Poucos raios de sol ali penetravam. O movimento das águas do rio refletia cores douradas, propiciando uma luminosidade nas pedras que as faziam aparentar como preciosas fossem. Suas margens impressionavam por mostrar tantos espectros dançarinos. Ali, tudo parecia ter vida ativa tornando sinistra, mas sugestiva, qualquer ousadia imaginativa de cometer a indiscrição de conhecê-los. Reparava que os pequeninos peixes coloridos nadavam suavemente lembrando-me estar diante de um aquário lindo, tido eu, e que fora numa certa época, alívio para distrair uma alma ainda inocente, suplicante por uma expectativa de vida que se esperasse com otimismo, mas com as incertezas já percebidas. Diante do silêncio aparente, meu receio era grande. Parecia existir um sentimento cuidadoso, que naquele pé ante pé, de entra não entra, me acovardava. Minha alma então foi serenando como a um pesadelo definido que venha se tornando inexpressivo. Não restava dúvida! Formou-se um momento mágico e encantador! Cada impulso que eu tinha de dar mais um passo, sentia-me no risco de um lumiar... Parava então. Refletia... Era a expectativa de um resultado inesperado. Reparava o vôo suave das borboletas, mas momentaneamente realizavam um movimento tão translouco, que a visão quase as perdia; todavia, aquele rápido movimento não impedia que o repente desfizesse a harmonia do seu rendilhar. Seus estalidos faziam parte de uma orquestra que não interferia no sossego daquele momento. O xuxurrar do correr das águas parecia ser um grande falatório de lavadeiras cumprindo seus deveres de há tempos. Trinando os pássaros, junto a outros ruídos, integravam-se no mesmo som de uma sinfonia de chiados, pios, zunidos e estalidos num renrém que eu não conseguia entender como tudo se harmonizava. As cigarras pareciam querer atrapalhar, mas coitadas, não destoavam com seu zunir estridente e a nuança de seus acordes nos vai e vem. Os grilos cumpriam marcação de ritmo muito próprio. Os galhos arrastavam-se suavemente uns nos outros, proporcionando um rangido de rodas de carros de boi que me retornavam a outra ocasião de minha infância. O local ficava ainda mais espantoso. Provavelmente ouvia sem percebê-los, muitos outros sons que existiam por ali. Deveria ouvir o som da rotação e translação da terra, o murmúrio imperceptível do universo se movimentando em sua própria expansão. Qual silêncio... Reparado. Sentido... Pois barulho mesmo igual ao das cidades grandes não havia ali, e este sim, seria o que mais deveria assustar a qualquer um, mas jamais o novo passa a ser um costume. Acabei sentando naquela mesma pedra, que aparentava ser a menos desaconchegante. Naquele momento, sim, procuraria serenidade. Cobraria um senso que ajustasse minhas ideias, ficando atento a este tempo. Necessitava recolher-me a mim próprio para não encorajar meus pressentimentos. 2 Saí do devaneio reparando uma grande formiga que se dirigia a meu pé. Tentei com a força de meu pensamento desviá-la de seu caminho. Percebi que era em vão e que eu não tinha esse poder. Com um pedacinho leve de piaçaba comecei a brincar com ela. Notava na sua expressão o ódio que ficava da tênue parte da palmeira que interferia no seu caminhar. Estava interessante notar a sua raiva que ia aumentando a cada espaço de tempo. Irada, já quebrava o galho com a sua tesoura afiada a cada estocada de fúria e irritação contra aquele alvo perverso, que a importunava. Afinal eu que sem paciência, lanceia nas águas do rio, mirando-a em seu nado, até abstrair-me totalmente daquela circunstância. Com a atenção voltada para a orquestra perfeita daquela floresta, ouvia os sabiás, os tico-ticos, melros e tantos outros, cada qual com seu trinar. Os estalidos das borboletas, o zunir das cigarras trapalhonas e o bater das azas dos “Beatles”. O som da correnteza com suas lavadeiras falantes, e o das “Rolling Stones” e o arrastar dos galhos da mata. Não poderia deixar de prestar atenção na sutil mágica com que a vida nos surpreende e nem deixar de agradecer a estas maravilhas que sempre deveriam se apresentar em palcos e fizessem momentos ternos por toda a nossa vida. 3 Percebi a real magia de um local encantado. Estava atento a quaisquer coisas que poderiam acontecer. Minha surpresa quase me faz tombar no rio e arremessar também o gnomo que inesperadamente surgiu em minha frente; em momento de abstração, senti a altura da bainha da calça, puxõezinhos leves que me chamaram atenção. Quando olhei e vi exatamente o que era... dei uma contraída na perna, que deu no que se deu. Deveria ele ter uns trinta centímetros de altura. Imagine eu, num local supostamente assombroso como já descrevi, não estando no meu habitat natural e, repentinamente, deparar com um ser aparentemente humano, daquele tamanho; feições abrutalhadas que o tornava bem feinho. Ainda por cima, usando um chapéu esquisito na cabeça: a sensação que senti? O resultado foi que quase paramos os dois dentro do rio. Consegui, não sei como, acalmar-me prontamente. Ainda com algum receio, mais por sentir-me culpado, fui ajudá-lo a sair daquela maneira incômoda que se encontrava. Ajoelhei e ofereci minha mão para a sua, a que estava solta, para tirá-lo daquela posição: dependurado na pedra apenas por uma das mãos, e o resto do corpo pendido para direção do fundo do rio. Tinha uma agilidade como a do vento e mãos tão macias quanto a de uma donzela que só ao casamento espera. Na sua pressa em sair daquela situação, passou a falar muito rápido e de tal forma tão atrapalhado, que não entendi absolutamente o que pronunciara. Além disso, tive a impressão que usava um erre no lugar de dois erres, com o mesmo vício de linguagem de algumas pessoas daquele Vilarejo. É interessante que alguns habitantes dali, por suas feições brutas, suas maneiras de falar diferente, seus chapéus surrados e estranhos e outros detalhes a mais, que somente vendo, também aparentavam como se fossem gnomos grandes. O gnomo, me pegando de surpresa, por eu não saber quem estivesse mais atrapalhado, fez sinal com as mãos que eu o esperasse e instantaneamente sumiu deixando um rastro que me aparentava ser de purpurinas ou estrelinhas prateadas, surpreendendo-me mais uma vez. 4 Além de estar naquela floresta assustosa, quando eu adolescente já havia lido alguns bons livros: “O Apanhador no Campo de Centeio”, “O Pequeno Príncipe”, “Fernão Capelo Gaivota”, alguns livros de yoga, vários do antropólogo Carlos Castañeda; Monteiro Lobato; As Grandes Alucinações de “Alice no País das Maravilhas” e outras fábulas de “O Mundo é da Criança” e “Tesouros da Juventude”. E por estas tantas leituras, achei que tinha acabado de ter um lapso de contemplação de minha fértil imaginação. Por todo aquele esplendor presente e com aquelas leituras, que provavelmente fariam bem ao desenvolvimento sutil de um rico e sorridente espírito criativo, fiquei com dúvidas quanto à veracidade do fato. Um evento que só poderia sobrevir ali mesmo: num lugar tão fantástico... 5 Coloquei a minha imaginação dormitando e entrei na real quando vi, aquele excêntrico gnomo, subir na pedra acompanhado de outro que me parecia mais velho. Bonequinhos andantes, bonitinhos por seus tamanhos, feinhos por suas aparências grotescas, fazendo que nossos pensamentos e nossas razões borbulhassem de incertezas. Completamente perplexo olhava para eles demonstrando talvez minha total insegurança em relação aos fatos. Se as estórias eram histórias, se os contos eram verdades, isto eu não mais tinha certeza. Estava incrédulo diante do que poderia acontecer a cada momento: ali, agora e para sempre... Minha interpretação da vida com absoluta certeza mudaria. Que figuras eram aquelas?... O gnomo mais velho se apresentando disse chamar-se Olégna. Dirigindo-me palavras em tom de voz natural, escutava-o entendendo perfeitamente tudo que dizia. Percebendo não ser iludido por minha imaginação; falei: — Como pode, eu nunca tê-los visto por todo este tempo? Só ouvido falar de vocês por tão grande espaço que é uma vida? Por que agora? O que querem de mim? Pensava que poderiam não existir! Que fizessem somente parte de uma estória de caçadores!... Mas assim mesmo cria em vocês! Pois já tive até relação de pedidos reais com gnomos. Só não sei se eram vocês mesmo: na beira de outro rio e sempre do mesmo local, eu pedia com fé. Faziam acontecer. Naquela época eu não os via. Fizeram acertar por treze vezes. Por falta do próprio agradecimento fiquei com vergonha e não mais apareci para estar. Ele retrucou: — É hora de nos vermos para trabalharmos. É muito difícil acreditar em vocês que se dizem humanos. Até que nos provem ao contrário. Então caem em nossas graças. Por exemplo: você vem sendo observado por nós durante muito e muito tempo e por diversos motivos ganhou nossa confiança. Éramos nós mesmo que lhe atraíamos para lá, para aquele ponto. Até que decidíssemos este encontro natural. Falava isto pausadamente e quase sem gestos, talvez para não me assustar. O outro ficava ao seu lado, em silêncio. Eu falei quase gritando: NATURAL!? Ele continuou após ter dado um sorriso. — Eu tenho trezentos anos. Não sei se você reparou nos traços do meu semblante. Não moramos aqui na superfície do planeta. Temos várias cidades e uma infinidade de civilizações constituídas por todos esses continentes. Cada uma delas fazendo-nos variar um pouco com os costumes, mas não com as nobres tradições. Vivemos numa parceria muito mais simples que a de vocês e nem imagina a organização que uma sociedade quase perfeita possa ter. Aprendemos a andar com um ano, ler com quatro ou cinco anos: igualzinho a vocês! Também nascemos sem muita experiência, se não, as que viermos com elas em nossos genes. Depois, por aprendizados dirigidos e muito bem elaborados por nossa sociedade, passamos durante a vida a adquirir capacidade pra realizar o que quisermos com nossos próprios átomos. Podemos até subdividir o núcleo e mudar certos ângulos da órbita de algumas das nossas camadas atômicas, não com os muitos trilhões que nos formam, mas somente com os átomos necessários para que realizemos cada caso em si. E muitas vezes, pressionando simplesmente um ponto de nosso chakra por alguns minutos, fazemos que aconteçam coisas surpreendentes. O que para nós, se torna muito fácil diante do que se adquire com os aprendizados dirigidos. Pode ir relaxando e se acalmando, porque este nosso encontro é para o bem. — Estou admirado! Vocês existem mesmo! — Bom!... Assim, com muita aplicação nos estudos, ficamos com uma capacidade do poder muito grande. Se quisermos vocês não nos percebem, apesar de muitas vezes estarmos nas matas ou nos jardins quase junto de vocês. Nós gnomos somos todos assim. Podemos também ir a outros “planos astrais”, convivendo em outras dimensões, e então, passamos a conhecer “elementais” diferentes, e até, alguns bem mais astutos do que nós. Essa atividade sempre a praticamos. Seja como aprendizado ou divertimento. Chegamos muitas vezes a arriscar os limites de nossas próprias vidas, indo até onde não deveríamos. O que já passa a ser travessura, a qual não é sugerida. Adquirimos poderes de ter intercursos com os “elementais da flora”, assim como, com os “espíritos da fauna”; não só pela configuração genética de nossos tantos neurônios, nossos estudos, como também por nossa finíssima sensibilidade adquirida com nossa longevidade. Temos o poder de saber o que vocês pensam e a maneira como se portarão, dependendo da situação. Se eu quiser acompanho-lhe vinte e quatro horas por dia sem sair de casa. Nós podemos obter a ajuda dos “elementais da flora da natureza”, também de todos os outros seres, como os “encantados” ou até qualquer outro “Elemental” de “outras dimensões” que possam, até, existir entre o céu e a terra. Apreciamos muito a evolução da inteligência de vocês, apesar de terem ficado muito atrasados, por se contentarem com o supérfluo e o superficial. Não atentaram ainda para o verdadeiro desenvolvimento das forças que existem em nosso interior. Aliás, no momento só estão fazendo bobagens sérias com esse desenvolvimento de vocês. Até me desculpe pelo que ainda vou lhe narrar daqui para frente, pois vai cair em si gradualmente, se nos der tempo. Se acalme. O pior de tudo é que está se tornando difícil de manterem-se vivos por muito mais tempo. Basta continuarem desafiando a rica natureza do planeta de uma maneira brutal como vêm fazendo, por terem caminhado naturalmente por um desenvolvimento completamente sem cabimento, devido ao caráter guerreiro que desenvolveram. Principalmente, praticando a retirada indiscriminada do petróleo, que coincidentemente, o mistério da vida o colocou onde deveria, proporcionando um clima apropriado na superfície do planeta para o desenvolvimento dos átomos, que se tornaram células e formaram a nossa natureza de hoje. Ocasionando oportunidade de todos nós termos nascido. Não deixem para percebê-lo, quando não mais for possível a sua recuperação. Também o utilizam mal, na queima para energizar esse desenvolvimento mecanicista que foram levados a optar. Ainda bem que os fenômenos surpreendem pela lei das “causas e efeitos”. O planeta vem se superando de acordo com suas necessidades. Até quando? Não saberei lhe dizer! Ele se sujeita aos efeitos, independentemente da sua natureza. Mas o complexo dela... É lenta sua recuperação. E a reposição do petróleo impossível. Disse-lhes, então: — Gostaria de um tempo para recuperar a explosão que acontece em minha cabeça e em meu coração! Você fala... Fala... Fala... Sem parar. E eu preciso perceber realmente essa realidade. Considero-a fantástica. Desejo saber sobre vocês, seus poderes e o que sabem, para aproveitar em pró do nosso desenvolvimento, se assim nossa sociedade quiser. Para mim, se torna difícil compreender isso tudo que está acontecendo numa real situação. Todo esse contesto está me deixando perplexo: a emoção de perceber uma linda floresta perigosa, rasgada por este rio amansado e tranquilo, o aparecimento de vocês, e ainda ter de ficar prestando atenção na vossa filosofia. Há em mim uma necessidade de reflexão para poder absorver toda essa realidade.