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Voces vão gostar deste blog. Vou colocar um pouco de minha arte, e de meus escritos. Algumas fotos de meus amigos e minhas também. E até de vocês se assim o quizerem.































22 de mai. de 2010

Um pedaço do meu livro 2

Aquela mulher linda e completamente pálida, mesmo com sua expressão muito abatida me refletia tranquilidade e, o seu olhar era de tanta paixão que meus olhos se embaraçavam diante dos dela. Seu rosto, sem nenhuma cor se apresentava de uma perfeição cândida muito apaixonante e, bem serena ela me parecia. O seu cabelo era bem comprido, liso, escorrido e na cor castanho claro que, com a leve brisa soprada naquele momento, esvoaçava provocando reflexos suaves nas cores douradas tornando então esta visão carregada de mistérios; sua pele era lisa como a de um silêncio bem aproveitado; sua fronte proporcional ao seu rosto e seus olhos, eram semi cerrados e bem marcados, a sua pupila da cor de um castanho claro e rodeada por uma auréola tão clara, que quase o percebíamos ao verde. Seu olhar firme era muito doce sem ser de felicidade. O formato do nariz um pouco menos afilado do que um nariz grego, conservavam as suas linhas perfeitas. Não havia pintura em sua boca, e digo mais, nem cor nenhuma nos lábios, e eram tão delicados que a parte superior quase não existia. Vestia uma túnica de uma brancura imaculada, dando para notar o sombreado de seus pequeninos seios com os mamilos em riste. O corpo através da transparência de sua fina túnica dava para perceber que tendia para magro e a faixa que usava como um cinto me fazia crer que as curvas da cintura existiam. Fiquei olhando com grande admiração e carinho para aquela figura, a qual, o gnomo tinha tido a coragem de me apresentar. Sentamos os dois de mãos dadas num banco de pedra que existia no meio de um lindo jardim sem fim, preenchido com todas as espécies de flores que eu havia conhecido e, mais as que minha imaginação criava para compor ainda mais lindo aquele lugar que, parecia ser somente nosso e de mais ninguém. Havia um perfume no ar que me enfeitiçava e a aquela figura notória que teve uma vida tão me pertencida e até aquele momento, ignorada por mim. Eu não queria, mas imaginava com quase certeza absoluta de quem nós éramos, simplesmente pela verossimilhança de nossos rostos. Sentamo-nos no banco, virados meio de lado um para o outro e, com todas as mãos dadas e sobrepostas na sua coxa esquerda. Olhava-me com um olhar doce, meigo e firme, sem se importar com minha covardia que, naquele momento era de uma falência de todos os órgãos; e então me falou: - “preste bastante atenção nas minhas palavras. Eu sei que você imagina não querer me reconhecer, mas eu vou lhe relembrar o que você não deveria jamais ter esquecido se maior polidez tivesse; e isso, só para nos ajudar nessa vida atual. Fomos uma mulher com um coração enorme, mas tão grande que me apaixonava por todos os homens que viessem a me interessar e, queria tê-los todo e inteiros tanto de corpo quanto de alma. Naqueles momentos de amor transformavamo-nos em um só ser. Conseguia me dar por inteira nos nossos conluios, com meigos sorrisos e com o olhar interpretando completamente a minha paixão para com todos eles, cativando-os com decora e delicadeza diante de toda nossa beleza, desprendimento de puro amor e a serenidade que o momento exigia. Gostava e deixava-os me tomarem toda. Também, os provava e me aproveitava de todos os seus pedaços sólidos e inteiros, ou não, que por ventura ainda existissem. Fiz por muitas vezes seus corações partirem despedaçados por caminhos que se tornavam perdidos de tanto que a alma saía estraçalhada. Isto, quando percebiam que meu tempo não era de um todo e, nem de um para sempre. Não dava nem tempo e nem espaço para eu percebê-los. Nossa alma, que naquela época era a minha alma, era tão cândida e tão sem maldade que, passeava pelas avenidas da vida completamente contemplativa e irradiante. Para mim não existia problema algum em perdê-los ou em ganhá-los. Aqueles momentos eram de pureza, magia e de tamanhas delícias, que aqueles homens cheirosos e delicados que se aproveitavam tanto do meu corpo e de uma maneira tão afável que então, não poderia restar nada mais além do que o próprio momento. Eu ficava completamente apaixonada e tinha a aprazível impressão, que somente a morte seria capaz de nos afastar daquele tão nobre sentimento. Aqueles homens limpos e de corações indefinidos e inteiros, ainda por somente aqueles momentos, me eram caros. Nunca olhei para nenhum com iniquidade, e nem sei se em algum dia olhei para algum. Eles se aproximavam e me encantavam. Pediam-me em casamento. Mas eu gostava tanto deles como da minha própria liberdade. Eu tinha certeza que se o momento fosse eternizado, haveria então pecado na relação. Quando o tempo era passado o próximo era o encantador. E diante de suas fraquezas, todos daquela e de todas as épocas, retornariam mulher quando morressem... Assim como somos representados por um homem agora, que é você. “Por isso, quero muito que prestes atenção nestas palavras que acabei de lhe dizer...”
Naquele momento, eu senti um vento gélido nas minhas costas e quando olhei para o outro lado do banco, percebi então, que sentada do meu outro lado, outra mulher muito mais linda que aquela que estávamos conversando, sendo que, essa, não estava de branco e o seu olhar tão profundo não me era claro nem mesmo cativante. Foi quando vi Olegna surgir com um homem formoso, de beleza indefinível que refletia as bênçãos e, com asas enormes, rígidas, mas que aparentavam serem leves e frágeis; e então, este anjo mais uma vez em minha vida, forçou-a com suas mãos firmes e bem atarracadas e conseguiu levar consigo aquela lindíssima “figura” que somente ele conseguiria fazê-lo naquele momento. Ela ia forçada, olhando para trás, como quem quisesse que eu fosse também. E eu então, percebi que ao nosso lado ela poderia até estar, mas nunca poderíamos ir ao seu encontro e nem torná-la parte de nós. Foi quando Olegna me chamou para irmos embora, olhei então para o outro lado e aquela outra “figura” de branco tão oportuna na minha clarividência, tinha também partido... Ele foi calmamente me puxando pela mão e eu o seguia olhando para trás, tentando vê-la para despedir-me e, somente dar mais um adeus, para aquela imagem revertida, da vida de quando antes, que tanto me dizia para prestar atenção nas mulheres d agora, pois poderiam ter sido os homens de outrora e neste momento quererem me machucar. Chorei naquele caminhar. Só não sei se de saudade ou de desgosto. Quando de repente surgiu a nossa floresta. A Bia e o Solrac, só de me olharem não tiveram a atitude que sempre tinham. Não me pediram para contar nada do que havia acontecido, como sempre o faziam. Ficaram me olhando com olhares reticenciosos... Estávamos todos circunspetos. Foi muito forte toda aquela passagem.
Eu não acreditava que o Olegna tinha tido a coragem e o poder de me colocar naquele lindo lugar, juntos e no mesmo banco, com minha própria vida passada e acontecida e também, ao mesmo tempo, com quem me levaria para outra vida de um futuro ainda tão desconhecido e incerto. A morte.

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